segunda-feira, 7 de março de 2011

Dor da Separação

Perda (Separação e Divórcio)
Divorcio é uma perda significativa, mesmo para a parte que teve a iniciativa, que exige uma dose extra de capacidade de adaptação à novas situações.
É uma experiência altamente estressante que podendo surgir como resposta a este estresse sintomas como depressão, ansiedade, pânico, hostilidade, raiva, abuso de álcool ou drogas, etc.
A perda é uma experiência humana universal, mas algumas pessoas estão mal preparadas para a perda do amor.
As pessoas se apegam fortemente umas pelas outras, e independente de haver paixão quando se mantém alguém por algum período em sua vida, esta pessoa a percebe como fazendo parte de sua identidade, mesmo que seja um relacionamento destrutivo.
O grau de dificuldade aumenta quando há filhos, pois será impossível romper definitivamente o relacionamento, sempre haverá questões a serem discutidas.
Além disso, cais gays e lésbicas enfrentam dificuldades adicionais com alto potencial de crise.
Grandes perdas humanas
Tem dois grandes grupos de questões que levam uma pessoa ao sofrimento emocional, um é o medo, o outro grande grupo é o das perdas.
Perder tira as pessoas da linha de equilíbrio, perder leva ao sofrimento emocional. Perder dinheiro, perder bens materiais mas principalmente perder pessoas.
Quando falamos em perder pessoas estamos falando de todo tipo de perda, da pessoa que você perdeu por morte ou por mudança, a convivência vai morrendo.
Toda perda provoca forte sofrimento, mesmo quando se refere às perdas materiais, muitas vezes essas perdas representam a vida da pessoa. Por exemplo, a pessoa que perdeu sua casa ou nessas chuvas, é a perda da referência de cada um, nossa casa é nossa referencia, nosso porto seguro, nosso lugar de acolhimento “cheguei em casa, cheguei no meu lar, no lugar onde me sinto bem”.
As perdas nem sempre acontecem por forças externas, muitas perdes acontecem por sua opção mesmo. Por exemplo, quando você perde alguém porque precisou sair do relacionamento, dificilmente um relacionamento acaba com total certeza das partes de que é isso mesmo que deve acontecer, todos os relacionamentos acabam porque uma parte deste relacionamento estava doentia, prejudicial, mas claro que sempre existe uma parte que era gostosa de estar com a pessoa, mas quando esta parte fica pequenininha demais o sensato é sair deste relacionamento, mas a cabeça das pessoa fica sempre apegada aquele pedacinho do relacionamento que era bom, era o chocolatinho que uma vez ele te trouxe e você achou isso tão doce, foi aquele gesto de pegar um copo d’água no momento que você precisava tanto, mas isso fica muito pequeno quando você é traído por exemplo, ou é maltratada nas outras 23 horas do dia, aí chega a hora de se despedir dessa pessoa. É sempre uma perda a dor da separação.
Tipos de perdas
Existem muitos tipos de perdas. Nós nos perdemos continuamente em nossa própria vida, perdemos a infância, quem é que não tem saudades da infância, precisamos deixá-la pra trás pra entrar no ensaio da vida adulta que é a adolescência. A perda de um estilo de vida com a aposentadoria. Já surgiu uma nova problemática que é a síndrome da esposa do marido aposentado. Esta nova fase é difícil, a esposa perde seu castelo porque esse terreno que era todo dela, sua casa, agora tem que compartilhar com o marido que também dono desta casa mas que, agora aposentado, fica pelos cantos fazendo coisinhas, sujando as coisas, tentando arrumar a porta e descobre que não sabe arrumar a porta. Para ele essa é sua nova diversão, e para ela seu novo inferno.
Perder sempre é difícil, mesmo perder coisas ruins. Deixar pra trás um marido que só trazia transtorno nem sempre é aquela felicidade toda pois, é a perda de uma rotina conhecida.
Há muitos a nos eu realizei um sonho, me mudei da frente de uma metalúrgica numa época que não existia muita lei do silencio, e a tal da metalúrgica batia ferro a noite toda. Mas o dia q eu saí de lá senti falta: “Nossa... que silencio, cadê o barulho de ferro sendo martelado?”
Qual a pior perda?
De todas as perdas a morte é a pior delas pois é uma perda sem qualquer possibilidade de retorno, mesmo que algumas religiões coloque como certo que você vai reencontrar esta pessoa em outro nível, no nível terreno não será mais possível,
Por isso é importante trabalhar a aceitação com esta pessoa que perdeu alguém querido, mesmo porque muitas culturas consideram que o carinho que cada um tem pela pessoa que faleceu é diretamente proporcional ao tanto que esta pessoa está sofrendo com a morte dela.
Não, não é verdade! Aceitar que chegou o momento daquela pessoa não significa que você não gosta, não considera, não ama esta pessoa. Significa principalmente que você respeita o momento desta pessoa, mesmo porque partir não depende dela.
O interessante é que normalmente as pessoas têm mais medo da morte de uma pessoa querida, amada do que da própria morte, com exceção dos fóbicos que temem intensamente e doloridamente o medo da própria morte, em geral o medo é da morte do outro. Por quê? Porque este é o momento onde a pessoa percebe a sua própria incompetência. Sim, somos incompetentes no que se refere a impedir a morte do outro, não temos este poder, mas gostaríamos de ter. E aí entra de novo a importância da aceitação. Aceitar o nosso próprio limite. Ele sempre aparece e é jogado na nossa cara. A morte, as perdas são os momentos mais fortes pra nos mostrar isso.
Resiliência x Perdas
Resiliência é um termo da engenharia e significa a capacidade de uma ponte suportar as chuvas, o sol, o vento, sem cair nem rachar. Esse termo se encaixou muito bem no comportamento, pessoas com capacidade de lidar bem com as intempéries da vida, com as perdas são as pessoas resilientes.
Resiliência pode ser desenvolvida tanto no dia a dia, na vida, mas quando a pessoa percebe que sozinha não está dando conta, existe o psicólogo pra isso. Existe a terapia pra te dar apoio, para te ensinar a ser forte e não quebrar quando coisas fortes acontecem na sua vida.
Fases da perda
Muito se fala das fases da perda, entorpecimento da hora do choque, é aquele momento onde as pessoas dizem “não caiu a ficha ainda”. Depois vem o protesto, onde a pessoa fica com raiva, ela tenta recuperar a pessoa perdida, A terceira é o desespero, quando a pessoa reconhece finalmente a perda, reconhece a impossibilidade de volta, aquela pessoa que morreu não volta mais, e isso é desesperador.
E por fim a última, a recuperação, a tristeza dá lugar pra sentimentos mais positivos, ela vê o que pode fazer para viver bem esta vida nova que ela terá, que coisa pode fazer por si mesma, talvez aprender alguma coisa com a pessoa que morreu, talvez cuidar melhor da saúde, não entrar em situações arriscadas, e com isso ela aceita.
O que é aceitação
Eu gosto muito de frisar o que é aceitação. As pessoas confundem aceitação com conformação. Não aceitar não é se conformar, não é passar a gostar do que aconteceu, não é concordar com o que aconteceu.
Aceitar é combinar com você mesmo que você não vai mais entrar nessa briga interna a respeito do acontecido e vai tocar a bola pra frente. Por exemplo, perdeu o namorado, levou um fora, doeu muito, mas percebemos que a pessoa aceitou esse fora na hora que ela deixa esse ex prá trás e vai tocar sua vida, vai trabalhar com gosto pelo trabalho porque namorado não tem nada a ver com seu trabalho, trabalho é outra parcela da sua vida que não merece ser contaminado pela dor da perda do namorado. E quando você aceita esta perda você não passou a gostar do que aconteceu, é como que se você tivesse combinado com você mesmo que você não vai mais entrar nessa de deixar sua vida cair toda num buraco porque o namorado te deu um fora, você vai combinar com você mesmo que sua vida é mais do que uma pessoa nela, sua vida tem lugar pra muitas pessoas, e nem falo de muitos namorados não, também, mas falo de pessoas de todos os setores da sua vida.
Dor física da perda
As pessoas que não trabalham as perdas sofrem tanto emocionalmente como fisicamente. O corpo fica doente. Além das depressões, da falta de animo, tem as somatizações, é a dor de cabeça que você não sabe de onde vem, a dor no corpo, aquele resfriado que não cura nunca.
E claro que quanto maior a tendência da pessoa a ter depressão, vai sofrer mais com uma perda. E como eu disse qualquer perda, perda de uma pessoa querida, do emprego, do amigo que se mudou de cidade, do anel que caiu na rua! Psicologicamente não existe perda maior ou menos, a dor é individual, e não devemos desmerecer a dor de qualquer pessoa, porque pra muitos perder uma coisa que pra maioria não causaria dor nenhuma, pra esses a coisa é muito forte.
Porque, toda perda é como se fosse um roubo, a pessoa se sente roubada, tiraram algo dela e ela esta vulnerável, impotente.
Com a perda as pessoas sentem raiva, medo, culpa, todo tipo de sofrimento.
As pessoa podem ficar horas ruminando “E se eu não tivesse ido lá naquela hora... e se eu não tivesse dito tal coisa... ou e eu tivesse dito alguma coisa ”.
Toda perda pode acabar funcionando a nosso favor
Como? Se você trabalhar bem, de forma saudável as suas perdas, você sai mais forte e mais resistente a novos problemas na sua vida, mais forte pra qualquer tipo de problema.
Você pode descobrir em você uma força que jamais descobriria se não tivesse passado pela perda. Você pode sair mais rico tanto emocional como espiritualmente falando.

Dicas pra você superar a dor da perda:


1-Fale sobre sua perda e sua dor
Nos primeiros meses muitos têm esta necessidade, deixe que os outros saibam que este assunto não deve ser evitado e que lhe faz bem falar sobre isto.
2-Enfrente o sentimento de culpa
Quando se perde alguém é difícil sentir que se fez o bastante..
3-Trabalhe os sentimentos de raiva e revolta é importante percebê-los e expressa-los. Não ajuda negá-los ou envergonhar-se deles, são normais.
4-Idealização
Há uma fase em que se vê a pessoa que se foi como um ser perfeito. Com o tempo, começará a vê-la como um ser humano real, com suas qualidades e defeitos, assim como todos nós.
5-Não se isole
Mesmo que não se sinta à vontade para compartilhar seu sofrimento e prefira ficar sozinho, precisa buscar a companhia
6-Mudança de valores
Diante da morte , deixar de lado coisas que anteriormente valorizava e que agora percebe que são insignificantes e/ou fúteis
7-“Nunca mais serei o mesmo”,
É freqüente haver um grande sofrimento neste pensamento que pode ser real, mas isto não significa que nunca mais possa ser feliz.
8-Evite decisões importantes ou grandes mudanças
O primeiro ano após a perda, geralmente não é um período adequado para tomar decisões importantes. Uma pessoa amargurada tem a capacidade de julgamento diminuída.
9-Reserve períodos e local para lembranças
Não fique o tempo todo pensando e vendo objetos da pessoa que se foi. Coloque alguns pertences dela numa caixa ou armário, não os deixe espalhados.
10-Prevendo dias e datas difíceis
datas de aniversário, Natal, passagem de ano, Páscoa e outros, onde a falta da pessoa se faz mais presente. Planeje passá-los com amigos ou familiares, pois é provável que fique mais triste, choroso e deprimido que em outras ocasiões. Não se isole.
12-Culpa por sentir-se bem
É comum as pessoas não se permitirem alegria após uma grande perda, não aceitando convites de amigos, ou evitando atividades agradáveis. Não lute para continuar sendo ou parecendo infeliz.
13-Reajuste-se à vida e ao trabalho
as atividades devem ser retomadas assim que for possível, pois são importantes no processo de recuperação.
14-Liberte-se de expectativas irreais
Acreditar que a vida deveria ser diferente, não envolvendo escolhas dolorosas, sofrimentos e perdas é irreal e só traz revolta, o que só prejudica..
15-Integrando a perda
deixar de lado as perguntas centradas no passado (que é imutável) e no sofrimento (“Por que isso aconteceu comigo”?) e começar a fazer perguntas que abrem as portas para o futuro:- “Agora que isto aconteceu o que posso e devo fazer? O que posso aprender com isto? O que posso fazer para Ser e sentir-me melhor?”
16-Pesar excessivamente longo
Quando um sofrimento excessivo consome alguém por mais de um ano, geralmente o problema principal não é a perda em si, mas algum outro aspecto que precisa ser entendido.
17-Procure ajuda profissional, se necessário.
A maioria dos que procuram ajuda de psicoterapeuta não são doentes mentais, são pessoas comuns enfrentando problemas, passando por uma crise e muitas delas sofrendo uma perda. Um profissional da área é alguém com quem você pode dividir seu sofrimento, sua revolta, seu medo, suas lembranças dolorosas, sua culpa e seus conflitos; que pode compreendê-lo e ajudá-lo. As sessões de terapia podem ajudá-lo também a tomar decisões práticas que o farão sentir-se melhor. Você pode precisar de apenas algumas sessões, muitos meses para superar a fase mais difícil, ou mais tempo; tudo vai depender do significado individual da perda, da maneira como reage às crises e à terapia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário