sexta-feira, 16 de abril de 2010

COMO EDUCAR OS FILHOS

A CRIANÇA DE 9 ANOS:



Por Élide Camargo Signorelli Atualizado em 1/1/2006

No artigo anterior, TÃO SIMPLES E TÃO PROFUNDO, fiz algumas reflexões a respeito de um e-mail que recebi de um pai de um menino de nove anos, sobre uma mudança no seu interesse em relação à escola nesse momento de sua vida.

Fiz uma primeira abordagem, detendo-me na questão amorosa como base de todas as relações.

Penso que seria produtivo explorar um pouco algumas características da criança de nove anos, para podermos compreendê-la melhor.

Do ponto de vista sexual, a criança, de 5 a 10 anos, encontra-se numa fase que Freud chamou de latência. Ou seja, é uma fase em que os impulsos sexuais estariam adormecidos, mascarados por novos interesses. A criança se afasta, então, temporariamente dos interesses sexuais e essa energia psíquica passa a ser utilizada para o fortalecimento do ego, e para o desenvolvimento da inteligência.

Se tudo correu razoavelmente bem no seu processo de amadurecimento mental e sexual, a criança apresenta um franco movimento em direção ao estabelecimento das relações interpessoais fora da família. É onde aparecem as turmas, os grupos com seus códigos próprios de comunicação, valores, regras, apelidos etc.

As meninas e os meninos tendem a se agrupar separadamente, formando os famosos clubes do Bolinha ou da Luluzinha, que existem para reforçar as características femininas ou masculinas.

A convivência em grupo é muito importante, pois contribui para a reafirmação da auto-estima, para a expressão de impulsos e para modificação de certos mecanismos da criança.

Ela volta-se para a identificação com ídolos, heróis e professores, todos esses substitutos dos pais.

O pensamento, nesse momento, ganha uma estruturação mais sistemática e a criança possui autocrítica mais aguçada e torna-se mais determinada nas suas ações.

Com a motricidade em menor evidência, ganham espaço os jogos de regras, e as coleções de objetos.

A moral, nessa fase, é autônoma. Ou seja, a criança apresenta uma capacidade maior de pensar, julgar, porém com um certo grau de confusionismo, embora sem a agressividade característica do adolescente. Costuma ser prestativa e dá muita atenção às solicitações do meio externo. Em relação à escola, destacam-se, então, os amigos como principal fonte de interesse e atividades que fujam da rotina, que apresentem desafios e criatividade.

Como se trata, então, de um momento em que há um avanço no desenvolvimento geral, a criança de nove anos fecha um ciclo da infância, tornando-se mais independente e capaz de ser responsável por suas tarefas e atividades. Cabe aos pais, portanto, a tarefa de levarem isso tudo em consideração, e criarem, de uma forma mais consistente, uma reformulação nas relações com a criança, tendo sempre em vista uma maior independência.

Como estamos a um passo da pré-puberdade, tudo em volta vai adquirindo, sutilmente, um clima anunciador dessa nova fase que encerra definitivamente o período da infância. Os pais estão frente a um novo luto, agora da criança que vai dando lugar ao adolescente. É algo que ocorre gradualmente, o que favorece a possibilidade de uma constante elaboração, da criança e dos pais, para que possa haver uma readaptação das condições familiares e extrafamiliares a favor de um desenvolvimento saudável da criança.

A escola fica com o desafio de acolher essas mudanças, com o compromisso de buscar alternativas que conservem a criatividade, fundamental para o aproveitamento do potencial riquíssimo que a criança apresenta nesse momento de sua vida. Favorecer um ambiente em que a sociabilidade possa se desenvolver também é importante.


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Élide Camargo Signorelli, psicóloga com formação psicanalítica pelo C.P.CAMP, Centro de Psicanálise de Campinas, e especialização em adolescência pelo Departamento de Psiquiatria da FCM da UNICAMP.

e-mail: elidesig@terra.com.br


NÃO CONSIGO EDUCAR MEUS FILHOS! SOCORRO!

Mediante as dificuldades cotidianas de se educar os filhos, vê-se a necessidade de agir com maior rigor, utilizando-se de um planejamento a ser compreendido e discutido entre todos aqueles que convivem com as crianças. É importante criar um método que ajude no processo educacional dos filhos. Não obstante, agir organizadamente traz mais harmonia para dentro dos lares, além de gerar a gostosa sensação de se estar cumprindo a vital missão: educar o ser humano para uma vida mais plena.

Faz-se necessária a lembrança de que a educação infantil deve acontecer em casa, e que à escola compete a formação acadêmica, acrescida de alguns valores. Portanto, é um casamento de forças educacionais e não um jogo de empurra-empurra, no qual a criança deixa de ser educada e de quebra sente-se um transtorno. A educação leva tempo, não ocorre da noite para o dia. Ela é um processo. Não somos máquinas programáveis, somos gente, que necessita de desenvolvimento e maturidade para tornar a vida melhor.

Os últimos tempos têm dado amostras de resultados desastrosos de uma educação com baixos limites em sua estrutura, além da bola-de-neve dos relacionamentos ruins que são desenvolvidos, parte como conseqüência deste equívoco. Contudo, a natureza é especial, e as possibilidades favoráveis são ilimitadas. Para aqueles que despertam com nova esperança em seus corações, encontrarão força para fazer a diferença, de seu jeito particular, próprio de cada família.
Destacam-se alguns pontos-chave no processo de educação. Eles determinam o grau de êxito em cada caso. São o sacrifício, acordo, objetivos, conhecimento, paciência, firmeza e perseverança. Acrescente outros itens que desejar e melhore ainda mais este encontro de boa vontade na educação dos filhos.

1. SACRIFÍCIO: A tarefa da Educação requer sacrifícios como o da paciência, perseverança e firmeza. Tudo tem um preço na vida. Compreender o resultado do sacrifício ajuda a tornar o custo mais leve. Há tempos as pessoas evitam os sacrifícios, cujo termo significa: privação de coisa apreciada.
2. ACORDO: Todos os cuidadores precisam conhecer e estar de acordo, e agir em parceria. Assim, a força estará concentrada na união e na aprovação sobre a forma de se educar, em comum acordo. A criança percebe o conjunto coerente.
3. OBJETIVOS: Estas tarefas de Educação visam a educar a criança e, conseqüentemente, trazem mais harmonia para o lar. Todos devem ter conhecimento acerca do que se pretende com a educação.
4. CONHECIMENTO: A criança, a partir de 2 anos de idade aproximadamente, testará e contestará os pais, utilizando-se da famosa birra (choro, esperneação, etc) como instrumento para esta finalidade “Quem não chora, não mama”.
5. PACIÊNCIA: Sem a paciência desistimos de nossos projetos, com ela, nos alimentamos diariamente, dando forças para a firmeza.
6. FIRMEZA: Manter a prática firme da educação e criar o seu hábito levam a consistência e a segurança da criança. Lembre-se que o tempo gera o hábito. O hábito gera economia.
7. PERSEVERANÇA: No dia.a.dia é que se constrói a educação, portanto, a sua manutenção persistente é fundamental. A constância permite um resultado bem melhor.

Vale lembrar a questão humana presente na vida familiar: o quanto se está envolvido com os filhos e as influências causadas nos pais em virtude de seus comportamentos. Ou seja, tolera-se ou não certos comportamentos infantis de acordo com algumas experiências passadas dos pais, tais como o choro, as dificuldades, etc. Os pais podem estar “cegos” mediante certos comportamentos dos filhos. A história de vida é singular. Cada um tem a sua, inclusive a criança. Misturar as estações só dificultará o processo educacional, e de convivência. Não é tarefa fácil, todavia vale a pena.

Outra questão é o sentimento de culpa é comum nos pais, em virtude do pouco tempo que passam juntos com os seus filhos, pelo baixo ânimo e paciência que oferecem após um dia de exaustivo trabalho, além do acúmulo de noites mal dormidas, etc. No entanto, a culpa apenas dificulta a educação, diminuindo as chances de se praticar o que é necessário. Os pais acabam invertendo as prioridades, dão o que não deve, a exemplo dos presentes. Não compre os filhos com coisas, compartilhe educação.

Algumas regras colaboram no processo da educação infantil:
1. Estar disposto a certos sacrifícios.
2. Manter comunicação constante. As conversas fazem parte da educação.
3. Não atender as birras, mas aos pedidos.
4. Expor à criança que só será atendida se pedir em tom de voz normal.
5. Evite usar os personagens de televisão para amedrontar ou punir os filhos, faz mais sentido alegar que são os pais ou cuidadores que estão educando.
6. Não voltar atrás.
7. Oferecer algum tempo diário para se dedicar aos filhos, carinho, brincadeiras, etc.
8. Evite a contradição entre o que é dito pelos pais. A criança se sente confusa e dividida.
9. Os pais são o modelo a ser seguido. Pense que tipo de modelo é o seu.
10. Não acredite que o tempo, por si só, dará jeito na situação. Não haveria sentido em existir a educação.

O pedido de socorro emitido pelos pais é compreensível, porém, a criança também grita por ajuda. A birra é uma forma de saciar os prazeres infantis, entretanto, quando atendida, ela agrada e ao mesmo tempo gera um mal estar na criança, que precisa de educação. Quando nos sentimos sem apoio (limites), a angústia é a sensação que expressa tais circunstâncias. O sacrifício de manter a educação é a luta diária que cabe aos pais, e que tem como recompensa a boa formação. Sacrifício requer uma cota de entrega. Em Efésios 5:2, temos: “e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave”.

Pense profundamente sobre a entrega que deseja empreender. O método que persiste é aliviado pelo tempo. A criança aprende e cria os seus mecanismos próprios. Creia nela e em suas possibilidades de educação.


*Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo, consultor, conferencista e escritor. Desenvolve treinamentos. É mestrando em Liderança.
E-mail: selfpsicologia@mogi.com.br

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